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*nOVe = NOva VErsão: Música, carros, humanos e uma nova visão.

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Terra Blog

29.11.07

O irmão do Pródigo

Há tantos anos venho te ajudando sem nunca desobedecê-lo e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com meus amigos. Já teu filho te arruína e você faz uma festa? (Lc 15.29,30)

Acredito que algumas pessoas se identificam, realmente, com o filho pródigo (que deixa as mordomias da casa por algumas arriscadas aventuras), mas acredito que todos temos um "quê" do irmão do "pródigo", que pondera suas atitudes esperando uma recompensa.

Não adianta negar. Possuímos, de fábrica, um "detector de pecados alheios". Sabemos de cór os deslizes do próximo e aguardamos com ansiedade o tempo em que seremos reconhecidos e gratificados por nossa "boa-postura". Até por isso nos preocupamos demais com os erros dos outros. Desde crianças somos assim: "Poxa, Pai, fulano quebrou não sei o quê e você nem brigou!". "Foi cicrano que começou, mãe!".

É assim no trabalho. No dia-a-dia. Já tem até o jargão "É melhor pedir do que roubar", como se "não fazer o mal" fosse um grande favor. Um dom. Fazemos o bem esperando algo em troca. Ou melhor, não fazemos o mal esperando uma premiação.

"Ah, Senhor! Eu sou fiel, nunca roubei, nunca fiz mal a ninguém e o Senhor me deixa cair nessa situação? Fulano faz tudo errado e é promovido no trabalho!". "É muito bonito isso, né? Errar, errar, errar e pedir perdão como se algo nunca tivesse acontecido!"

Já postei um texto dizendo que não via tanta vantagem direta em se fazer o bem. (Até mencionei que todas as vezes que respeito o limite de velocidade sempre pego um sinal vermelho pela frente). E não há mesmo. É este o pecado do irmão mais velho. Analisar as vantagens em se fazer o bem. O bem é a única opção. Faz-se o bem porque ele deve ser feito e pronto! Erra-se quando não há competência suficiente para se fazer o certo. E só.

Não é porque outro erra e nada acontece que eu vou errar também. Não posso sair listando os erros dos outros para saber quantos "cabritos" tenho por direito. Faço o bem porque minha nova natureza precisa fazer o bem para mortificar a velha, que é tendenciosa e corruptível. E tudo tem uma conseqüência direta.

"Teu filho desajuizado pediu sua morte, queimou seu dinheiro, se prostituiu e você o recebe de braços abertos?". Entenda que o Pai recebe os filhos da forma que o convir. E enxerga o que não podemos ver. Não se esqueça, também, que o aventureiro muito sofreu. Que precisou conviver com os porcos. E que perdeu sua herança.

Mesmo que eu nunca tenha ganhado "um cabrito para me alegrar com os meus amigos", nunca precisei comer lavagem. E minha herança está segura também.

Entenda que a salvação não é adquirida por mérito. A única coisa que temos por direito, por merecimento, é a cruz. A condenação.

O Céu não pode ser comprado com nossas benfeitorias, assim como não podemos ganhar um "cabrito" para cada "mal não realizado". Cada um assuma seus atos e suas conseqüências. E deixe com o juiz a responsabilidade do julgar.

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