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- "Abram os olhos e vejam a terra onde as chamas se levantam. A mesma terra onde as pessoas gritam 'p-o-r-q-u-ê?'. A mesma terra onde parte das pessoas nem tentam. Onde a dor refresca a memória e nos lembra o que é de fato ser um ser".
É verdade isso, que “nem todos os monstros são ruins”? Que “o que importa é a intenção”? E se o bem que fazemos não é proveniente de nenhuma boa razão? E se é fruto de um desejo enorme de nos promover? Ou então necessidade exacerbada de nos livrar de uma responsabilidade que nem nossa deveria ser? O que mais me espanta é o mal imensurável e o bem insondável que carrego por debaixo da minha pele. Como podemos ser essa mistura monstruosa de bem e mal?

Como demonstrar a alguém nosso lado bom, aquele que arrebata corações e cria em nós um perfil de pessoas adoradas? E como esconder dos outros o lado ruim que nos envolve como monstros irracionais, preocupados com nosso ego e que nos torna criaturas emburradas?
Olhe os monstros chacoalhando suas correntes e dançando em volta das chamas. Veja os monstros que apenas olham com curiosidade para os perdidos que desesperadamente chamam. Os monstros fazem barulhos vazios. Gritam sem expressar conteúdo. Preocupam-se apenas com a validade de uso.
Penso que se o bem não revelar sua face o mal ocupará seu lugar. Será que não vemos que sem uma intervenção isso nunca vai mudar? Será que não estamos acostumados com os monstros ditando o linguajar? Ou mortificando o bem, ao invés de o monstro derrubar?
Monstros não entendem o que se passa em um olhar. Estão entediados com o mal que necessitam causar. Monstros não sabem aonde vão chegar, mas sabem que um dia essa tentativa de domínio vai acabar.
Dizem que temos o formato das coisas que amamos e nos parecemos muito com as coisas que evitamos. Mas entendo que não derrubaremos nosso monstro, o velho Adão ou qualquer sentimento incoerente, enquanto formos exageradamente apaixonados por nós mesmos e ao “nosso igual” indiferentes.
(Baseado em Good Monsters – Jars of Clay)
feLIpEnOVe
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18:47:35