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*nOVe = NOva VErsão: Música, carros, humanos e uma nova visão.

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<  Setembro 2007  >
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Terra Blog

Arquivo de: Setembro 2007

10.09.07

Ao mar

Gilberto era pescador em uma pequena vila chamada Refúgio. Possuía um barco chamado Gabriela (em homenagem à sua filha de 04 anos), uma pequena casa e vivia na companhia de sua pequena filha e sua esposa, Ana.
Ana e Gilberto viviam juntos há quase 13 anos. Aos olhos de toda a vila apresentavam o estereótipo de casal modelo. Ana era invejável, tamanha beleza e fidelidade. Não havia naquela localidade alguém com tamanho coração e orgulho da sua família como Ana. Já Gabriela tinha em seus pais sua base forte: O pai protetor e a mãe amiga.
Certa vez Gilberto não foi com sua equipe ao mar. Na realidade, neste dia, Gilberto não abriu os olhos pela manhã. E nem sequer conseguiu se levantar.
Ana desconfiou de algo, mas apesar do desespero de Gabriela ao ver o pai ainda em seu leito, achou que este deveria estar tomado de cansaço. Ou seria um dia de folga, já que Gilberto nunca havia repousado até mais tarde, e passava as madrugadas em alto mar.
O fato é que já se passavam das 14 horas e Gilberto ainda não havia levantado. Mesmo com a ansiedade controlada, Ana e Gabriela foram ao encontro de Gilberto para acordá-lo de um dia não programado.
- “Pai, pai!!! Acorda pai!!! Tá tudo bem? Acorda pai, sou eu Gabriela... fala comigo pai..”
As lágrimas contidas nos olhos de Ana denunciavam à Gabriela que algo estaria fora do controle. Gilberto não respondia aos estímulos de sua família. A notícia correu até a vila vizinha, próxima a um braço de mar.
À noitinha chegaram a Refúgio uma mulher chamada Carla e um menino chamado Lucas. Ambos foram ao encontro de Gilberto para conferir de perto a notícia que chegara a casa.
O que todos não sabiam é que Carla e Lucas eram, respectivamente, mulher e filho de Gilberto na vila vizinha a Refúgio. Carla e Gilberto estavam juntos há aproximadamente 08 anos.
Ana viu seu mundo desabar. Seu marido que não acordava mais a traiu por insistentes 08 anos. E possuía, com a outra mulher, um filho de 02 anos e meio.
- “Ainda bem que você não vai acordar mais, se não eu acabava com você! Como pôde jogar fora todo meu amor, minha companhia, meu zelo? Quantos anos vivi só por você, fazendo sua vontade? Não é justo manchar assim a minha vida e meu amor!! Como pôde, Gilberto? Porquê?”
Mesmo tomada pela decepção e pela ira, Ana resolveu chamar os médicos da cidade mais próxima e, na companhia de Carla, cuidou exaustivamente de seu marido adormecido. O diagnóstico indicou que Gilberto estava em coma devido a algum incidente ao mar.
Ana decidiu apaziguar sua relação com Carla, já que esta não conhecia todo o histórico de Gilberto. Apesar de todo bom senso, não era possível viver como se fossem grandes amigas, mas por amor aos filhos, ambas decidiram construir uma relação de cumplicidade enquanto Gilberto ainda dormia.
Três meses se passaram e Gilberto ainda não acordara. Carla já havia voltado pra casa, decidida a refazer sua vida. Ana seguia à risca tudo que podia fazer, carregando nos olhos um misto de fracasso e compaixão.
A ira de Ana já havia dado lugar à esperança de um dia ver seu marido lúcido. O que iriam fazer daí por diante não era mais a tônica da vida de Ana. Cada dia a mais era um a menos para o despertar de Gilberto. Não era fácil se manter com um homem à cama. Os vizinhos, por compaixão, auxiliavam com cestas básicas o crescer da pequena Gabriela e o servir da lutadora Ana.
Em uma madrugada de domingo Ana ouviu um barulho à geladeira. Gilberto acordara com fome e estava à cozinha revendo a vida, como se tivesse dormido uma noite apenas.
Com lágrimas nos olhos Ana o abraçou. E antes que Gilberto dissesse qualquer coisa, ela declarou o seu amor e seu perdão:
- “A sua traição e todos os seus erros não se comparam a falta que você me fez. Nem à tristeza que é minha vida sem o seu abraço, sem o seu cuidado. Pelo meu amor e pela nossa filha eu te perdôo. E me humilho pelas palavras que disse, mesmo que você não as tenha ouvido. Prometa não me deixar e não invente de me dar mais um susto desses...”
Ana decidiu jogar todos os erros de seu marido ao mar. Sua decepção, sua ira e todo sentimento de fracasso foi lançado às ondas que nunca trariam de volta a revolta e o desprezo.
Ana enfrentou as opiniões alheias e carregava consigo a certeza de ter agido da forma mais sensata, convicta de que sua felicidade dependia de suas escolhas.
Lucas foi reconhecido como meio irmão de Gabriela e Carla já havia encontrado um novo amor. Com o passar dos anos, a pequena vila de Refúgio reconheceu a beleza no gesto de Ana. E esta foi vista como a mulher mais apreciada de toda localidade. E seu encanto estava justamente no perdão liberado, nos sentimentos jogados ao mar e no brilho que transportava no olhar.
E todo o dia que via o mar Ana se agarrava ao seu amor e à certeza de que as ondas não mais trariam a incapacidade de perdoar. E via ao longe todas as barreiras sendo desfeitas pelo mar. E que jogara ao mar tudo aquilo que, sozinha, não podia suportar.

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09.09.07

Porquê do nOVe

Bom, já comentei no texto anterior que esqueci o novo post no meu trabalho. Então só devo postá-lo amanhã. Mas para aproveitar o pouquinho do tempo livre vou explicar, em off, o porquê do "nOVe" - que vez ou outra tenho explicar alguém...

A estória é simples: "nOVe" faz referência à banda de Rock que eu e Jônathan criamos na adolescência. Compramos e brigas e brigas por causa da banda e passamos a adolescência vivenciando o sonho de sermos músicos. A vontade era tanta que criamos codi-nomes para nos identificarmos com a banda. O Jônathan criou o dele e eu invetei o "nOve" por ser as iniciais no nome da banda: NOva VErsão. Daí vieram e-mails, spaces e blogs e o "nOVe" hoje é o número final da placa do meu carro, o número da entrada do teclado na mesa de som da igreja e minha logomarca...  Mas sem numerologia. A idéia é carregar comigo o sonho que permeou durante anos...

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03.09.07

É Zé...

É Zé. Eu sei como é. Eu sei como é difícil se manter de pé. E como é dolorido caminhar sem fé. Eu sei Zé. Eu sei que tudo que você fez, foi só pra saber como é. Que as mentiras que contou foi pra evitar o mal que é ter que dizer tudo aquilo que não quer. Eu sei Zé que você vai até onde der e que se tudo der certo você vai mais longe até. E que, como sempre nessa vida, você vai fazer o que puder. Eu sei Zé, mas tem hora que não dá, né?
Não dá pra viver a vida toda tentando se justificar. Dizendo que fez o possível, mas que nunca vai superar. Não dá Zé. Tem horas que não dá pra disfarçar que esses erros que você esconde são mesmo seus e que a respeito deles você vai ter que falar. Não dá Zé, pra viver a vida toda achando que você nunca vai ter que prestar contas do que deixou passar. Da semente que deixou morrer e dos frutos que viu estragar.
Eu sei Zé que parte da culpa não foi sua. Que você se deixou levar. Eu sei que não era sua intenção falhar. Mas você é responsável por você e não tem como isso mudar.
Sabe Zé, é preciso confiar e ter força suficiente pra se levantar. Você sabe bem do que estou falando e onde pretendo chegar. É hora de guardar no armário aquele traje que você usa pra enganar. É hora de limpar o rosto e tirar a máscara que lhe embaça o olhar. Este é o dia de trocar o discurso, levantar do túmulo e se encontrar.
Sabe Zé, esse peso todo que você tanto reclama não é mesmo pra se carregar. É tudo uma questão de entrega. De escolha, de optar. Você carrega se quiser carregar...

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01.09.07

Se...

Se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz,
Quem então agora eu seria?
E se eu fosse o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado,
O que então eu faria?
E se acaso, o que eu sou é também o que eu escolhi ser?
Vai ver que o que sou também é sucessão de todos esses dias...

(Baseado em “O velho e o moço” - R.A.)