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*nOVe = NOva VErsão: Música, carros, humanos e uma nova visão.

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Terra Blog

Arquivo de: Maio 2008

31.05.08

Permanece

Não questiono o seu amor. Muito menos seu cuidado. Duvido do que sinto e do meu padrão de envolvimento. Questiono todos os dias os meus sentimentos. Questiono porque não sou igual a Você. Até me esforço, mas tenho muito ainda o que aprender.
Acredito não apenas por ouvir, mas de ver face a face. Tenho provas concretas do Seu “gostar de mim”. Amar de igual tamanho é meu maior anseio. Entristeço-me por não ser Você o meu primeiro pensamento, é com o espírito que lamento. Quem é a razão por que me deito todas as noites? Entristeço-me por não sentir tanta saudade, cumplicidade. Por viver como se Você e eu não tivéssemos um relacionamento de verdade.
O frio dessa relação sou eu. Você já justificou todos os seus atos. Acreditou em mim mesmo quando estive errado. Foi Você, desde sempre, quem guiou meus passos. Tenho medo de ser pra sempre assim. De nunca ter uma reposta certa ou saber a hora apropriada de dizer um sim. Tenho medo de nunca ter certeza se o que sinto é mesmo amor.
Tenho receio de não corresponder o peso de Sua cruz. Constranjo-me por ter sido o motivo de Sua dor. E por continuar inverso como sou. Envergonho-me de minhas sutis e extravagantes traições. Das minhas frases repetidas, de meus jargões.
Não sei até que ponto consigo surpreender, se tudo o que penso Você consegue ler. O que será que pensas sobre minhas verdades, minha infidelidade? Quanto mede minha porção de juízo, minha maldade?
Você não tem obrigações. Não me deve explicações. Eu quem devo me expor por não possuir o mesmo nível de superioridade. Devo me arrepender todas as manhãs. As mesmas manhãs em que Suas misericórdias se renovam. Fico sem graça diante de tanta Graça. Não mereço tanto favor. É inacreditável que eu faça parte do cenário que você sonhou. Que esse ser humano desconexo foi você quem esquadrinhou.
E não há nada que eu possa fazer pra compensar. Não se trata de troca, mas de afeto incondicional. De lealdade divina. Agrado incomum, dedicação anormal. Envergonho-me pela desonrosa comunhão. Absurda desproporção.
Desculpe, mas não posso enganar. Não posso pintar constância se vivo uma afinidade unilateral. Se minha preocupação está apenas em como se preocupas comigo e em até ponto isso é natural. Não posso pintar um quadro de servidão se faço apenas minhas vontades. Talvez reconhecer minha condição seja minha única qualidade. Não tenho do que me orgulhar, se só avalio o que nisso tudo posso ganhar.
Ainda me sobra uma gota de justiça. Pra me calar e não me contradizer. De evitar me parecer um tolo diante de você. Não posso pregar libertação enquanto não for livre, nem falar de arrependimento enquanto mancho seu sacrifício. Não posso acariciar teu rosto se sou a razão de suas lágrimas, se sou um dos espinhos de sua coroa. Envergonho-me pelas máscaras. As mais coloridas e corruptas capas. Humilho-me pelo vazio do seu tamanho em minha alma.
Não posso vestir adoração se nem lembro sua grandiosidade em minha oração. Se menciono seu nome quase sempre em vão. Não posso rimar amor em minha canção, se olho para o céu sem expectativa da volta em meu coração.
Reconhecer o erro não é garantia de acerto. Não me sinto melhor por ser honesto. Por reconhecer que o Reino não tem sido prioridade. Por escrever em um blog um texto pela metade. Minhas regras, minha lista de benfeitorias não aliviam a ausência de feedback.
Não sei se posso ser quem você merece. Mas tua compaixão tem sido prece. “Perdão pelo o que em mim não presta” é a esperança de mais um dia que escurece. A única certeza que em minha vida permanece.





17.05.08

A Justiça de DEUS


DEUS não é justo apenas para pisar a cabeça dos meus inimigos. Nem para fechar as portas para os que me odeiam. DEUS não é justo apenas para me dar o que comer. E não só para me livrar dos demônios que por aí vagueiam.
DEUS não é justo apenas para me manter de pé. E não só para alimentar minha fé. DEUS é justo apenas por ser Quem é. E justo suficiente para me fazer sangrar se, necessário, for. É justo para levantar o Sol e para fazê-lo se pôr.
Sua justiça me condena se errado estou. E me faz enxergar que tamanha justiça é gerida apenas por amor. Não há propina e nem privilégios. É verdadeira, não falha, não tarda.
Sua justiça liberta. Impede a queda. DEUS é justo e fiel pra cumprir quaisquer promessas. E não apenas para confortar. DEUS não é justo somente para impressionar. DEUS não faz “vista grossa”, sua justiça não é corrupta como a nossa. Sua justiça nos julga e nunca se desvirtua.
A justiça de DEUS é Seu caráter. É seu nome, sobrenome. DEUS é justo suficiente para julgar. E eu, humanamente dependente, para aceitar.

05.05.08

Preciso aprender com os outros sobre mim mesmo.

Preciso aprender com os outros sobre mim mesmo. Preciso porque percebi que eles são doutores no assunto “Eu”. É impressionante como sabem de tudo. Sabem minha cor preferida. A bebida de que mais gosto, dos programas mais divertidos. Eles sabem quando tenho fome e sede. Quando estou satisfeito, cansado ou incomodado. Essas pessoas decidem quando estou namorando, quando deveria me apaixonar ou se já passou da hora. Elas sabem se acabei de chegar ou se estou indo embora. Elas sabem com quem eu deveria me relacionar. Que carreira seguir. Elas sabem o que degustei no almoço e a que horas tive preguiça. Elas sabem como tudo se encaixa – perfeitamente ou não – na minha vida.

Se houvesse um “Quiz” sobre mim eu perderia feio. De vinte questões, uma ou duas eu acertaria em cheio. Com certeza ficaria no chinelo, porque o que menos sei na vida é o que eu quero. Mas pra isso existem os outros. Pra assumirem o meu posto, o meu gosto. Pra dizerem até onde posso ir e pra justificar as coisas que nunca consegui.

Preciso aprender com outros pra me reconhecer no espelho. Pra decidir o meu peso, o tamanho exato do meu cabelo. Preciso porque não existe nada tão nebuloso como o meu futuro. E não existe coisa mais simples, pros outros, do que o meu mundo. Elas definem como gasto o meu dinheiro, quando estou com sono ou quando preciso de aconchego. Elas definem os meus medos, sentimentos e desejos. Elas decidem por mim. Decidem quando devo tirar férias, quando devo ter paciência e quando devo ter pressa.

Professores ensinam sobre mim. Dizem o que sou, como sou, o que serei, pra onde vou. Estou caricaturado em um quadro negro. A cada dia descubro algo novo. Alguma estória sobre mim que não carrego na memória e nem no bolso. Descubro com quem saio, com quem converso e por quem me interesso. Pra quê pensar/resolver se existem pessoas graduadas em decidir por mim? Com elas reafirmo o que em mim é verdade ou mentira. O que é pecado, virtude ou covardia. Preciso aprender com elas, porque elas são minha inspiração. São elas que assinam meu nome, alimentam-se da minha comida, pagam minhas dívidas. São as marcas delas no meu rastro, são delas os meus calos. Preciso aprender com elas pra me manter de pé. Pra seguir com o que elas chamam de fé, pra viver a vida delas na minha como ela é.

by felipenove