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Nem sempre teremos belíssimas estórias para contar. Nem sempre encontraremos o que procuramos em seu devido lugar. Nem sempre seremos reconhecidos pelo chefe ou tiraremos a nota que merecíamos tirar.
Nem sempre seremos admirados. Nem sempre surpreenderemos alguém. Existirão vezes em que assustaremos os outros com nossas atitudes. E vezes que também nos magoaremos. Isso porque nem sempre possuímos todas aquelas qualidades que ditamos. E porque nem sempre sabemos por onde caminhar.
Nem sempre encontraremos o amor que queremos. E nem sempre saberemos doar esse amor temos. Existirão vezes em que não saberemos nos comportar. E outras em que queremos mentir para podermos nos livrar. Isso porque temos medo de não conseguir. Enfim, porque temos medo de errar.
Nem sempre seremos abraçados. Nem sempre estaremos juntos. Nem sempre seremos recompensados, assim como, nem sempre seremos justos.
Nem sempre diremos as melhores palavras. Nem sempre estas estarão juntas na sua melhor frase. Nem sempre estaremos de bem com a vida ou dispostos para mais um dia-a-dia. É verdade que nem sempre seremos aplaudidos, aclamados e até ouvidos. E é bem verdade que nem sempre poderemos contar com o apoio de nossos amigos.
Nem sempre faremos gol. Existirão vezes que não atingiremos a expectativas. E outras inúmeras vezes em que inventaremos uma quantidade absurda de justificativas. Existirão vezes em que tudo parecerá difícil. Até mais do que na verdade é. Assim como existirão vezes em que tudo parecerá muito simples. Bem mais do que realmente é. Isso porque nem sempre somos certeiros em nossas percepções. E porque temos a tendência de vivermos fazendo comparações.
Digo que nem sempre estaremos inspirados. E que, nem sempre, estaremos fortes. Nem sempre a poesia rima. Nem sempre o sonho se realiza. Nem sempre teremos dias quentes. Assim como, nem sempre, teremos noites frias. Nem sempre tudo estará em nosso alcance. E nem sempre alguém fará por nós.
Nem sempre seremos independentes, assim como nessa vida, nada irá durar para sempre.
by felipenove

criado por feLIpEnOVe
07:47:13
Ela pintava sempre o mesmo quadro. Era sempre a mesma imagem inacabada. Um horizonte que nunca tinha fim. Um pôr-do-sol como nunca se viu.
Aliás, ela nunca observou um feito assim. E por mais que se esforçasse, não conhecia o original. Sua obra não soava natural. Havia sempre uma dúvida, um vazio, por melhor que fossem os traços. Ela não enxergava onde falhava. Não entendia porque sua visão não se concretizava.
Ela já havia feito tantos outros. Este parecia tão fácil. Olhou pra sala onde está o mais elogiado de todos os quadros. Mas este lhe parecia embaçado.
Misturou as cores. Trocou os pincéis. Resgatou todo o material. Não era questão de perspectiva. Nem de medidas. Nem de combinação ou inspiração.
Resolveu dar uma volta. Olhar o mundo pela janela. Ouvir as estórias dos vizinhos, mas não esquecia os riscos em suas telas.
Era o momento em que traço não dizia nada. Quando as cores não mudavam o ar. Quando aquilo que você sempre fez parece nunca ter sido feito por você. Este é o momento em que a pintura que se vê não é a que se quer ver. Quando a imagem tão comum é descomunal demais pra você.
Por mais que se pintava. Por mais poluído que estava o desenho, havia um espaço em branco que não se conseguia preencher. E não podia mesmo, porque ela não entendia o porquê.
O Sol tão distante. As montanhas gigantes. O Céu tão azul, o verde ao norte, o rio ao sul. Estas imagens não existiam em seu coração. Não podiam ser usadas como parâmetros de comparação.
Pra retratar a paz ela precisava se despir da guerra. Pra falar de amor precisava se libertar da dor, amar como nunca amou.
Pra simbolizar DEUS ela precisava conhecê-LO. Pra tocar o coração era preciso aprender abrir mão. Buscar restauração. Mas ela estava entregue sempre aos mesmos erros. O momento em que acertava era sucedido de falhas, lamúrias e desespero. A inconstância não mantinha firmes as linhas feitas pela sua mão. Seus passos tropeçavam sem sequer tocar o chão. Os momentos de alegria eram complementados pela mais pura solidão. Ela não enxergava, por mais que se apontasse, que o problema de seu quadro estava no centro de seu coração.
felipen9ve

criado por feLIpEnOVe
21:36:26
Já não sou como antes
Vejo minha fé escorregando entre os meus dedos
Vejo um mundo destruído
E parece que nada sei fazer
Fico cercado nos mesmos erros
Vivendo sempre com medo
Essa é minha vida, vazia sem Você
Apostasia, vida tão fria
Vida sem graça, vida sem razão
Apostasia, morte em meio a vida
Vida vazia, ser humano sem coração
Eu preciso de Você
Pra segurar minha mão
Pra me levantar do chão
E renascer...
Quero viver entre os seus braços
Me livrar da podridão
Da vida morta que me cerca sem Você
Letra de Música nunca concluída... (felipenove)

criado por feLIpEnOVe
11:26:05Definitivamente você não precisava passar por isso. Havia muitas outras formas de você me descobrir. Quantas vezes te acenei. Porque você teve que aprender da forma mais difícil? Foram muitas vezes que você ouviu falar de mim. Eu disse que todos os joelhos se dobrariam. Eu falei dos meus sinais, mas você achava que o fim nunca chegaria...
Não queria mesmo te ver de mãos vazias. Acredite, essa separação dói mais em mim. Dói saber que só agora você veio entender sobre liberdade, prosperidade, santidade. Dói saber que só agora você veio enxergar as marcas em minhas mãos e a decifrar os sonhos do meu coração.
Sabe essas lágrimas em seus olhos? Essas eu não posso enxugar. Derramei muitas por você e outras muitas nascem agora em mim. Mas não tem volta. Nem jeito. Isso não é fruto do meu desejo. Saiba, porém, que sempre te esperei. Que sua vida foi eu que guardei. Suas vontades, eu realizei. Quantas vezes te vi corromper, e ofereci meu sangue por você. Ofereci meus ombros pra te acolher e sanar o seu chorar. Eu era aquela voz que dizia: “Não desista agora! Acredite, você vai chegar lá!”. Como eu te amei ninguém, em toda sua vida, foi capaz de amar. Perdoei quantas vezes fosse preciso e estendi a mão para te levantar. Eu te encorajei a lutar, intercedi por você junto ao Pai.
Dói saber que só agora você entende o porquê da cruz. O motivo do sacrifício. Que só agora você entende o porquê do caminho estreito. O porquê das parábolas e de todos os preceitos.
Por favor, não venha implorar. Nem dizer o quanto errou. Tolo ou não seu tempo acabou. Lamento o seu arrependimento e sua dor. Meu coração chora, mas já foi dada a sentença e tudo sobre você se consumou. Não adianta se ajoelhar, tocar minhas vestes. Nem tentar me comover com suas obras. Se você não viveu sob a Graça (Que de graça lhe foi dada) todos os seus feitos foram, unicamente, para sua própria glória.
Eu lhe mostrei que tudo o que buscavas era material, que a vida era mais que isso, sobrenatural. Espiritual. Sinceramente, depois de tudo, preferia não te conhecer. Por isso, por mim, por toda eternidade, definitivamente, vai ser preciso te esquecer.
“E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.” (Mt 7.23)
felipenove
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criado por feLIpEnOVe
17:52:21
Trancaram-se os portões. Fecharam-se as cortinas. A platéia se foi. É mais um show que se encerra. Não há mais fila de espera. Não há gritos, vaias ou risos.
É a enésima vez que realizo o mesmo número. As luzes se apagam. Sobram eu, o estandarte e as cadeiras vazias. O palco agora não é mais o centro das atenções. E não há flash, pessoas ou expectativa por trás da cortina.
Cabe a mim a sensação de que foi um belíssimo espetáculo. Provoquei emoções com meu nariz de palhaço. Vi surpresa nos olhos com meus passos. E enxerguei satisfação no rosto de cada um. Fiquei registrado nas fotos com as crianças. Ouvi muitas gargalhadas. Nem perceberam que pisei em falso. Que errei a pirueta, esqueci a fala.
Nem sei se vão se lembrar desse dia. Acredito que parte das frases já foi esquecida. Mas não devo me preocupar. É hora de limpar o rosto, desfazer o personagem, pendurar a fantasia.
Penso em novos lugares. Nas pessoas que estarão na fila de entrada. Na dança que posso inventar até lá. Coloco a mente para pensar. Imagino quanta gente estranha aqui vai entrar. E vai olhar o picadeiro sem pestanejar. E quantos vão achar tudo ainda mais estranho.
É outra oportunidade. É a chance de participar da vida destes também. Emocionar as pessoas que não conheço e que nunca me viram por trás da pintura. Dizer algumas verdades, mesmo que sutis.
Tenho a esperança de mudar algo. Principalmente em mim. Mas a idéia de fazê-los trocar o foco é confortante. Nem que seja por poucos instantes. Os pais se esquecem dos problemas. E os filhos se esquecem de crescer. Todos saem prometendo algo. E se perdem em meio ao algodão doce e a tudo o que planejaram ser.
Quase me perco nos pensamentos. E quando me dou conta já é tempo de vestir minha identidade mais conhecida. As luzes são acesas novamente. Ouço o som do público. E vejo o brilho nos olhos novamente. Escondido, vejo a fila aumentando. E percebo os adultos disfarçando. Disfarçando que já conhecem os truques. Que não serão surpreendidos. Que não se sensibilizam.
O coração bate forte. Sou mesmo uma pessoa de sorte. É interessante como cada passo repetido é um novo espetáculo, e que tudo se reinicia após os aplausos. Cada dia uma nova apresentação. Novas idéias, palavras, gestos, risos e lágrimas. É por essas e outras que devo continuar.

criado por feLIpEnOVe
18:59:53