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Veja se não é mais ou menos assim que essa “tal” de vida funciona:
- “Filha, você sabe que mamãe te ama. Você é tudo o que mais me importa, por você meu coração se quebranta. Você sabe que eu nunca te deixaria. Viver um dia sem sua presença me oprimiria. Eu não entenderia o sentido da vida, nem em mim eu pensaria. Filha, você é o presente de DEUS que todas as mães queriam. Você é um exemplo. Um amor, minha querida. Mas tem algo que mamãe precisa te falar”.
- “Pode falar mãe. Eu já imagino o que é.”
- “Você sabe o quanto eu me preocupo com você e quero sempre o teu o bem. Quero te oferecer o meu melhor...”
- “Sim, mãe. Pode falar o que quer” Interrope a garota.
- “Pois é filha, as coisas não andam fácil. Eu necessito que você seja uma garota realizada. Estudada, com perspectivas. Enfim, com oportunidades”.
- “Vamos direto ao assunto mãe, por favor!”
- “Então, pensando no seu futuro, pensando apenas em você, acho que vou tentar a vida em outro país. Tudo pra lhe oferecer as condições que você necessita pra viver, pois sejamos francas, depois que seu pai – aquele traste – saiu de casa, sustentar nossa família não tem sido tarefa fácil, né?”
- “Eu sei mãe. Eu posso trabalhar. Eu arranjo um emprego e passo a estudar à noite.”
- “Não filha! De jeito nenhum. Quero que você apenas estude. E na melhor escola da cidade. Quero que você freqüente academia como suas amigas e que tenha um dinheirinho pra sair à noitinha.”
- Mas mãe...
- “Deixe-me terminar, filha. Assim, você terá como cursar uma faculdade. Cursar o inglês. E será alguém na vida. E poderá cuidar melhor do seu futuro. E será uma mãe bem melhor do que eu.”
- “Mas mãe, eu preciso de...”
- “Filha, eu não devo ficar lá por muito tempo. Pretendo permanecer por apenas 05 anos para dar uma equilibrada no nosso ‘orçamento’. Fique tranqüila. Neste meio tempo você ficará com sua avó. Vai ser bom para fortalecer a relação entre vocês.”
- “Mas mãe, e se você não voltar mais?”
- “Claro que isso não vai acontecer! Por nada nesse mundo eu te deixaria...”
- “Mas de qualquer forma você já está me deixando...” lamenta a filha com lágrimas nos olhos.
- “Não diga isso. Você está sendo injusta comigo. Estou indo precisamente pra lhe fornecer condições de ser uma pessoa bem mais realizada do que eu. Não percebes que é por amor? Não pensas no meu sacrifício? Já está decidido, e mês que vem eu arrumo as malas em direção à América (EUA). Lá vou dar meu sangue, vou trabalhar os três turnos. E vou mandar um dinheirinho todo mês para pagar seus estudos.”
Assunto encerrado, malas prontas, viagem marcada. Lá se vão cinco, seis, sete, dez anos... E a mãe encontra um novo amor. Um brasileiro que, assim como ela, foi tentar a vida.
A menina, no auge de seus vinte e poucos anos, nunca mais viu sua mãe. Elas se falam por telefone, batem papo pelo msn, skype... Mas a mãe não acompanhou as decisões mais importantes da filha. Não esteve aqui quando a filha pensou em fazer jornalismo. Nem nas ocasiões que esta não passara no vestibular. Não esteve aqui nas inúmeras vezes que sua filha passara mal. Não conheceu o ex-namorado de sua menina, que após 02 anos de namoro a abandonou, grávida.
Não esteve aqui quando a criança adoeceu. Não esteve aqui quando a menina resolveu se rebelar e se entregou aos vícios, entre eles as drogas ilícitas. O “dinheirinho” chegava todo mês. Mas o carinho, a presença de mãe, não.
E assim levamos a vida, mascarando a nossa ausência com presentinhos e cartõezinhos, virtuais ou não. Justificando a nossa incompetência enquanto filhos, netos, amigos, pais, com o materialismo exacerbado. Que nunca irá preencher. Que não molda o caráter.
Não penso que devemos nos conformar com a estagnação cultural, material, social e espiritual. Mas não devemos ser extremistas a ponto de sacrificarmos o nosso cargo de maior responsabilidade: Ser humano.
feLIpEnOVe

criado por feLIpEnOVe
17:32:52Às vezes penso que não há vantagem nenhuma em se fazer as coisas certas. Ou que não há recompensa direta pelo bem que fazemos. Não me refiro a galardão, mas à ação e reação.
Eu sei que, aparentemente, eu não tenho do que reclamar e, por favor, não encare isso como rebeldia. Mas é que sou humano e tem horas que não queria mesmo ser como sou.
Não precisa mencionar quão egoísta o mundo me tornou. Conheço todos os meus defeitos e os abomino.
É só um questionamento como tantos outros que já fiz. Eu não sou a voz da minha geração. Nem da igreja. Sou apenas a voz do meu coração. Aquele corrupto em que você quis fazer morada. Talvez eu seja mesmo um monstro. Preocupado com a aparência e que não carrega nada de valor dentro da mente. Talvez eu seja mais um que mente descaradamente. E condizente com o secularismo decadente.
Desculpe se não tenho direito de me expressar assim. Isto não é uma afronta, longe disso porque não sou nada. Porque sem você até o pouco que se sobrou se esgota. Porque sem você retorno para os porcos, me torno de dejeto de fossa.
Mas sabe, sinto-me como aquele que dá a volta pra não estacionar errado e que, quando acaba de realizar a manobra, perde a vaga para um mal intencionado. Ou aquele único ser que não excede a lei e que, no primeiro deslize, é multado e tem o carro guinchado. Sinceramente, às vezes penso que sou mesmo um louco, um quadrado. Chamam-me de alienado. Rotulam-me de insano, alucinado.
Mas afirmo, publicamente, que não me arrependo de servir. E que ao invés de alucinado me sinto um privilegiado. Privilegiado por já ter vistos tantos sinais. Por Te ouvir tão de perto. Por Te conhecer. E confesso, isso é mais do que tudo o que preciso pra viver. Mas humano como sou, às vezes me vejo enfraquecer. E me perder nas dúvidas que não me fazem entender.
Já escrevi muito sobre a dualidade. Sobre a parte que me levanta e à outra que me desanda. E sei que você compreende, porque temos o privilégio de possuir um DEUS que já foi homem e sabe como é a natureza humana. E que sabe como a mente, às vezes, aprisiona.
Eu quero deixar claro que até quando duvido eu confio. Que acredito, possuo esperança. Eu não sei bem na verdade o que é, mas dizem ser isso a Fé. De repente eu me pareça muito com o Zé. Que carrega o peso porque quer. Mas isso não é opressão, nem depressão. É apenas sensação. Pois o peso Você já liquidou. Até minhas dívidas Você quitou.
Quando começo a Lhe falar vejo o jugo desigual se acabar. E o “às vezes” se torna tão distante que nem dá para avistar. Com isso, o velho Adão, cabisbaixo, volta-se para o seu lugar.
Desculpe se foi desconfortável o meu falar. Mas é fruto do início de uma incerteza que me leva a examinar. Mas eu sei que, como sempre ocorre, Você vem me encontrar e, segurando minha mão, me leva a descansar. E me faz acreditar, como aquele homem que, durante 120 anos construiu um arca para a humanidade preservar. Por fim, eu sei que verei Sua glória se, com todas as minhas forças, não hesitar. Podem vir as dúvidas e os “às vezes” que nada vai me derrubar, pois Sua Graça me basta e é a que me motiva a caminhar.
P.S.: Pensei muito antes de postar este texto, já que o fiz a partir das minhas indagações egoístas. Mas percebi que todo mundo tem aquele dia em que se sente só, se sente pó, igual a Jó... Então percebi que todos já devem ter passado por momentos de grandes dúvidas. E quem sabe mais pessoas estejam sentindo-se da mesma forma? Por isso senti que a necessidade de postá-lo. Basicamente o título do texto é "às vezes", mas a configuração do blog não permite uso de caracteres e por isso preciso me adequar sem mudar o sentido.

criado por feLIpEnOVe
17:39:53- "Abram os olhos e vejam a terra onde as chamas se levantam. A mesma terra onde as pessoas gritam 'p-o-r-q-u-ê?'. A mesma terra onde parte das pessoas nem tentam. Onde a dor refresca a memória e nos lembra o que é de fato ser um ser".
É verdade isso, que “nem todos os monstros são ruins”? Que “o que importa é a intenção”? E se o bem que fazemos não é proveniente de nenhuma boa razão? E se é fruto de um desejo enorme de nos promover? Ou então necessidade exacerbada de nos livrar de uma responsabilidade que nem nossa deveria ser? O que mais me espanta é o mal imensurável e o bem insondável que carrego por debaixo da minha pele. Como podemos ser essa mistura monstruosa de bem e mal?

Como demonstrar a alguém nosso lado bom, aquele que arrebata corações e cria em nós um perfil de pessoas adoradas? E como esconder dos outros o lado ruim que nos envolve como monstros irracionais, preocupados com nosso ego e que nos torna criaturas emburradas?
Olhe os monstros chacoalhando suas correntes e dançando em volta das chamas. Veja os monstros que apenas olham com curiosidade para os perdidos que desesperadamente chamam. Os monstros fazem barulhos vazios. Gritam sem expressar conteúdo. Preocupam-se apenas com a validade de uso.
Penso que se o bem não revelar sua face o mal ocupará seu lugar. Será que não vemos que sem uma intervenção isso nunca vai mudar? Será que não estamos acostumados com os monstros ditando o linguajar? Ou mortificando o bem, ao invés de o monstro derrubar?
Monstros não entendem o que se passa em um olhar. Estão entediados com o mal que necessitam causar. Monstros não sabem aonde vão chegar, mas sabem que um dia essa tentativa de domínio vai acabar.
Dizem que temos o formato das coisas que amamos e nos parecemos muito com as coisas que evitamos. Mas entendo que não derrubaremos nosso monstro, o velho Adão ou qualquer sentimento incoerente, enquanto formos exageradamente apaixonados por nós mesmos e ao “nosso igual” indiferentes.
(Baseado em Good Monsters – Jars of Clay)
feLIpEnOVe

criado por feLIpEnOVe
18:47:35
Tem um período que a gente não quer falar sobre nada. Pensar em nada e não achar nada. É bom, de vez em quando, não ler nada. Ter a voz silenciada e nem mesmo descobrir. Às vezes nem chorar, nem rir.
Assim você não se preocupa com inspiração. Não se aborrece com política, não cria expectativa e não sofre com algum “não”. Por isso, precisamos, vez ou outra, de momentos totalmente despropositados.
Momentos em que você não necessita ser o melhor. Momentos em que você pode esquecer tudo o que tem de pior. Momentos em que você não precisa convencer. Enfim, momentos para espairecer.
E aí você não precisa falar de amor. Nem de dor. Nem de vitórias. Nem derrotas. E não precisa tecer aquela teoria enorme sobre coisas que você nem imagina como funciona. E não precisa ter idéias mirabolantes que se parecem mais com as leis de Murphy.
E não precisa contar caso. Nem puxar assunto. Você pode ficar tranqüilo com aquele sintoma de preguiça, com o embaraço.
É bom, às vezes, não ser o formador de opinião. É natural não ter nada, no momento, pra ensinar. Poder assumir o desinteresse e o fato de não querer imaginar. Ter aqueles momentos que você não se preocupa com as palavras que não vão encaixar. Com o português, com a beleza, com o que as pessoas vão achar.
Aqueles momentos em que nem os problemas perturbam. Aqueles que você não sente inveja ou orgulho dos que só ganham. Sabe, aqueles momentos em que os inimigos não fazem nem cócegas. Aquele momento, em especial, que você não quer saber de estórias. Aquele momento que você não dá a mínima para essa futilidade chamada moda e àquela outra inútil, chamada lógica.
Pois é. Hoje não tenho nada para o Zé. Ele, na verdade, já “tá” cansado de saber como é e conhece muito bem o que precisa e o que quer.
Hoje eu quero escrever sobre assunto nenhum. Falar de nada, sobre lugar algum. Ou pelo menos não dizer que, bom ou ruim, eu só sou mais um; e que eu e você temos, ao menos, o “lado humano” em comum...
feLIpEnOVe

criado por feLIpEnOVe
17:55:56
Será que isto nunca vai mudar? Eu tento sempre melhorar, pra de alguma Te agradar e tudo o que consigo é só me endividar.
Às vezes penso que progredi. Que não devo nada e que não preciso insistir. Vivo bem durante dias, tentando cumprir o combinado. Mas meu egoísmo me enrola e me confundo todo com os prazos.
Queria tanto não me constranger. Apresentar-me a Você e alguma coisa boa Te oferecer. Mas Você deu a entrada e pagou minhas prestações. Tudo com muito sacrifício, juros e correções.
Corro contra o tempo pra te pagar parcelado o que Você me fez, e quando computo meu saldo, te devo mais uma e outra vez. Às vezes digo pra você não se envolver, mas se não fosse Sua gestão não teria como tudo acontecer.
Cabe reconhecer que Você administra muito bem. Que Você é um visionário, responsável por todo o bem. Não sei que cálculos Você utiliza, mas devo confessar que sua ação me agiliza.
Antes tinha vergonha de Te encarar, pois sou eterno devedor. Você é Quem me sustenta desde o início, meu Grande Fiador. Contudo, Você me fez enxergar que sem a sua intervenção minha condição não me permitiria mudar. É bom perceber que o que falta em mim posso encontrar de graça em Você. E que, apesar da Sua condição, infinitamente superior à minha, você se importa com meus desejos e minhas dívidas.
Saiba que não é muito cômoda essa situação, mas é a minha real condição. Gostaria de não ter constituído nenhuma dívida e de não ter visto você pagando com a sua vida. Mas eu sei que Você era O único habilitado, e era a pessoa certa pra assumir todo peso, todo fardo.
Eu sei também que vai chegar um tempo em que poderei retribuir. Sei lá, mesmo que não seja com a mesma moeda, vou de alguma forma restituir. Posso começar reconhecendo. E continuar Te bendizendo, mas quero mesmo Te agradecer com um abraço, pode ser? Que tal um dia, um encontro? Onde eu pudesse ficar a eternidade toda junto a Você, prostrado aos Teus pés, pra corresponder de alguma forma o fiador maravilhoso que És?

criado por feLIpEnOVe
12:33:51