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*nOVe = NOva VErsão: Música, carros, humanos e uma nova visão.

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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2007

29.08.07

Enfim, o Peugeot

Aproveito a notícia pra postar um texto em “off”. Olhando a estatística do blog, percebi que o texto mais lido ainda é o do Peugeot associado à mortificação. Até hoje o texto recebe “visitantes” e figura (com uma grande vantagem sobre os demais) em primeiro lugar. Talvez por se tratar de uma tragédia cômica, digamos assim. A estória vocês conhecem. O fato que nem todos sabem é que o carro, que comprei por telefone em uma concessionária, era preto e tinha alguns detalhes misteriosos. Eu e meu pai desconfiamos de uma numeração de chassi gravada no vidro. E, conforme orientação do vendedor da loja, o levamos (dois dias após a compra) para uma oficina de substituição de pára-brisas. Aí é aquela estória, ao desmontar o vidro descobrimos que o carro era estilo “tiquim”. “Tiquim” de um, “tiquim” de outro e com um teto de um ex-peugeot vermelho. Bastante decepcionado com a estória adquiri uma idéia fixa de possuir um Peugeot. Talvez impressionado pela única manobra que fiz no carro dentro do pátio da loja.
Nesta última quinta, no curso de Gestão Ambiental em Colatina, fiquei sabendo de um Peugeot à venda em Vitória. E por acaso, ou melhor, por provisão de DEUS, o encontrei na casa de seus donos na sexta durante a viagem para a Pós-Graduação. Apesar de morarem em Vitória, os então proprietários do veículo possuem casa em Santa Cruz e raízes em Aracruz. Por providência eles precisavam de um carro mais barato e se apaixonaram pelo meu Paliozinho. Pela graça de DEUS estou com o meu Peugeot. Que não é preto, mas vermelho. Inclusive, acho que era predestinação possuir um peugeot vermelho, até porque o meu ex-quase-futuro Peugeot antigo era preto com alma de vermelho...


26.08.07

A porta e Eu

Eu vi todos os seus passos até aqui. Te assisti desde o dia em que te enxerguei. Eu medi sua força e a sustentei. Percebi suas vitórias e suas derrotas. Ouvi todas as suas estórias. Eu ficava horas admirando teu sorriso e ficava aflito com o teu choro. Eu me decepcionava com suas trapaças e me rendia a seus arrependimentos.
Eu percebia quando me deixava de fora dos seus planos. Eu sabia quando você agendava suas “festas” e não me convidava. Eu enxergava tudo aquilo que você tentava esconder. E do lado de fora da sua vida sempre te observei. Eu me acostumei a te olhar por cima do muro. A ficar sempre atrás da porta. Colocado sempre de lado. Do lado oposto ao seu. Eu percebia como meu nome te incomodava. Percebia quando você atravessava a rua pra não passar à frente da minha casa. Eu acompanhei suas viagens. Eu sei da sua relação com seus pais. E do seu amor pelo outro.
Sabe, as pessoas acham que não tenho coração. Que sou alguém desprovido de sentimentos. As pessoas pensam que não sofro quando cospem no meu rosto. E não fazem idéia de como é dolorido oferecer o livre arbítrio. Elas, inclusive, esquecem que são minha imagem e semelhança, Elas esquecem que fui eu quem criou o amor.
Poucas pessoas percebem minha presença. Meu ombro sempre esteve à disposição e ainda assim minha companhia não é valorizada. Sabe, todos acham que carregam um peso enorme nas costas e sofrem quando não são correspondidos ou quando são julgados injustamente. As pessoas reagem ariscamente e esquecem que carreguei o peso de todos. E esquecem que possuo o amor mais ignorado do mundo. E esquecem que até hoje sou julgado injustamente, mesmo após ser condenado pelos erros dos outros. Inclusive os seus.
As pessoas pensam que não há lágrimas em meus olhos. E que é fácil ver os que mais amo me traindo a cada dia. As pessoas não sabem como luto para libertá-las. Elas esquecem que sou quem as alimento e as mantenho de pé. Elas exigem misericórdia e não sabem nem o que é.
Mas saiba que vou amá-las sempre. Incondicionalmente. E mesmo que ignorem, eu estarei sempre à porta. Contra ataques de qualquer lógica, pacientemente estarei à porta.

 

Obs.: Como podem perceber, o "EU" do texto não se refere à mim. Mas ao homem com maior coração de todos. Abraço a todos. Fiquem na PAZ.  

22.08.07

Frustração

Durante algum período trabalhei pesado em um projeto. Na verdade fiquei responsável por angariar recursos para executá-lo. Após um trabalho árduo tive a impressão que todo meu esforço e toda a possibilidade de sucesso seriam freados por uma burocracia despropositada. Cheguei à casa arrasado. Como quem perde uma batalha.
Graças a DEUS tudo se resolveu e o meu projeto, que se encontrava em um órgão de nível estadual, foi retomado (no último minuto do segundo tempo) e encaminhado ao Distrito Federal.
Sempre disse que o pior do fracasso é a frustração. É terrível ter que se desfazer dos planos. Sejam eles quais forem. Desde uma viagem desmarcada a um amor não correspondido. Acredito que tive experiências cômicas a respeito da frustração (Estão lembrados do Peugeot preto que possuí durante dois dias? Justamente os dois dias em que ele esteve na loja?) e experiências mais doloridas também.
Mas o interessante é perceber que a frustração é fruto de uma expectativa. Quanto maior a expectativa, maior a frustração. E maior a lição.
Dizem que a frustração é a oportunidade de nos focalizarmos. E que de um ponto de vista é até benéfica. Atribuo a ela a função de mostrar que nem todos nossos desejos podem ser realizados e que nem sempre eles dependem unicamente de nós.
Percebo que, diante de uma frustração, podemos sim desistir de algumas ações. A renúncia, ou desistência, é uma escolha assim como a persistência. E provém do ser humano, devendo ser vista com naturalidade.
O que torna nossa frustração ainda maior é a pressão que não nos deixa desistir. Podemos renunciar e desistir de um alvo, um sonho, um projeto de vida, ou ir à frente com o intuito de torná-lo uma realidade a despeito das circunstâncias adversas. O segredo é aprender com as frustrações. Aprender sobre você. Sobre DEUS, sobre a vida e sua condição humana. Aprender e não perdê-la de vista. E nem deixar que ela dite seus passos.

"Foi-me bom ter eu passado pela aflição. Para que aprendesse os teus decretos."
Salmos 119:71

20.08.07

Carlos e Clarisse

_Carlos conheceu Clarisse assim que ela nasceu. Devido a certa proximidade os dois sempre mantiveram uma união invejável. Percebia-se algo além da amizade infantil. As famílias de ambos predestinavam um grande amor. Carlos, por ser mais velho que Clarisse, levava a sério os comentários a respeito de seu futuro amoroso e desde muito novo alimentava certo amor à Clarisse.
O amor de Carlos era peculiar. Esperançoso, paciente. Carlos nunca cobrou de Clarisse qualquer sentimento ou sinal. Tampouco a obrigou a qualquer coisa que não quisesse, mas deixou claro desde o início vestígios a respeito de seu sentimento. Ambos foram crescendo. Carlos mostrava-se cada vez mais apaixonado. Clarisse queria viver livre. Independente, indiferente.
Carlos sofria ao vê-la impulsionada pelas asas da imaginação que a levava a grandes tombos. Incondicionalmente Carlos a esperava. E lembrava-se de quando ainda eram crianças. E de quantas vezes seu coração bateu forte ao segurar a mão de Clarisse.
Clarisse sempre foi liberal. Ou julgava ser assim. Seguia o que tinha em mente e nunca media as conseqüências. Até que Clarisse se envolveu com uma galera estranha. E começou a ir contra tudo o que havia aprendido até ali. Clarisse queria voar mais alto. E não dava ouvido à sua família. Nem ao que dizia o coração de Carlos.
Mesmo que de forma ingênua Clarisse foi cúmplice de um crime. Antes mesmo de procurá-la a polícia já havia recebido algumas denúncias a seu respeito. Neste período a família de Carlos não fazia tantos votos para que ambos ficassem juntos. Mas o amor de Carlos já havia perdurado há anos e não morreria a esta altura da vida.
Clarisse foi sentenciada. Seus amigos e seu atual companheiro não a quiseram mais. Sua pena era terrível e a sociedade se encarregou de isolá-la. Apenas Carlos a enxergava como aquela garotinha inocente de muitos anos atrás. Carlos lembrava-se de seu sorriso. Das piadas sem graça. Das quedas de bicicleta.
Porém, Carlos não ignorou a condição de Clarisse. Suas boas lembranças não cegavam o entendimento, mas faziam perceber que o amor ainda permanecia. Intacto a todos os vendavais. Carlos abriu mão de suas expectativas para se manter fiel ao amor por Clarisse. Carlos nunca a esqueceu. E nunca pensou em ninguém que não fosse aquela menininha que viu nascer. Ele poderia ser mais um a isolá-la. Poderia ser mais um a recolher a mão.
Carlos foi ao encontro de Clarisse. E negociou as dívidas de sua amada com a justiça. Carlos colocou-se numa posição de avalista, em troca da liberdade de Clarisse. Mesmo diante deste amor Clarisse o traiu. E cometeu os mesmos erros.
Carlos, movido por sua integridade, assumiu sua responsabilidade e em nome de seu amor foi condenado. Todos os erros de Clarisse estavam sobre Carlos, que foi condenado por amá-la. Carlos se entregou por Clarisse, sem esperar qualquer coisa em troca. Nem mesmo a fidelidade. Nem mesmo o amor. Carlos foi condenado sabendo que Clarisse poderia ou não reconhecer seu ato de amor e de compaixão. E não o fez por recebê-la em troca. Mas por apenas amá-la. Clarisse não o reconheceu. E nem sequer foi visitá-lo.
Carlos não morreu em uma cruz. Nem sequer existiu. Cristo sim. Entregou-se por uma humanidade imoral e assumiu o erro de todos. Por uma humanidade que O trai a cada dia. O pior na verdade da cruz não é a marca causada pelos cravos. Nem pela coroa de espinhos ou pelas chibatadas. Nem mesmo a morte. Mas o fato de ser condenado pelos erros dos outros. E de não ser reconhecido.
Cantamos o amor. Aplaudimos de pé todo símbolo de heroísmo. Valorizamos os romances e esquecemos a estória de amor mais profunda do mundo. Talvez existam muitos “Carlos” e muitas “Clarisses”. Mas Cristo só houve um. Com um grande amor. Incomum.

 

Texto mais ameno. feLipEnOVe

15.08.07

Os outros

Há pouco me estressei com uma mensagem de celular. O texto dizia que certo alguém tinha algo urgente a comunicar. Ao entrar em contato, tal pessoa me vem com “um deixa pra lá” acompanhado de “um depois te conto”. Confesso que ando mesmo um pouco intolerante, e que disse “boas verdades” a essa pessoa.
Desculpe a sinceridade, mas com o passar do tempo e com uma quantidade absurda de coisas sob sua responsabilidade você passa a não ter “tanta” boa vontade. Primeiro é a faculdade que amplia sua visão e lhe apresenta um mundo de cobranças. Depois é sua carreira profissional que exige competência, disposição, diferencial. Você é treinado a agir com objetividade. E deve ter sempre uma resposta inteligente na ponta da língua. Com isso, você passa a não tolerar a falta de objetividade dos outros, os assuntos sem pretensão, sem propósitos, e principalmente as fofocas.
Lembro que tal pessoa atribuiu a mim o problema, dizendo que sou curioso e um tanto quanto estranho. Não quero questionar o meu “grau de estranheza” (principalmente após postar um texto sobre normalidade), mas vou me ater ao “curioso”. Ela me garantiu não ser curiosa e que se tal situação ocorresse com ela tudo ficaria numa boa.
Não podia mesmo deixar “baixo”. Lancei um assunto pela metade e ela quase teve um “troço”. Não era eu o curioso da “jogada”?
Pois é... Como tento tirar lição de tudo, cheguei à conclusão que as teorias funcionam para os outros, ou com os outros. Na maioria das vezes as carapuças só servem para os outros. As que se aplicam a eles geralmente não se aplicam a nós.
São sempre os outros que precisam perdoar. São sempre os outros que devem ser fortes. Os outros devem ser fiéis, amigos. Aos outros não cabem hesitar. E nem se ofender. Muito menos se cansar. São sempre os outros que decepcionam e traem. Aliás, as coisas ruins só acontecem com os outros. Os pecados dos outros são sempre maiores e quase imperdoáveis. Aos outros não é permitido um desequilíbrio. Sem contar que a dor dos outros nunca se comparam às nossas. Os outros, os outros. “Se fosse comigo tudo seria diferente...”
Agora, pois, a nossa carne é como a carne de nossos irmãos, e nossos filhos como seus filhos; (Neemias 5.5)